A deficiência dos nossos filhos não deve ser motivo para uma educação permissiva

By Kerol | Blog

A deficiência dos nossos filhos não deve ser motivo para uma educação permissiva.

“Mamãe boba”. Esta frase saiu assim, num tom de voz bravo, da boca do Paulo. Sim, o nosso menino ruivo sorridente, cuja história inspirou nosso trabalho aqui no Mater & Pater, também tem seus momentos não tão agradáveis. (Quem não tem?)

Nessas horas, a gente não sabe se reage ou se comemora. Afinal, uma certa comemoração (nem que seja escondido) faz um sentido que talvez só mães e pais atípicos entendam. Quando o prognóstico do seu filho é algo do tipo “Talvez ele nunca venha a falar”, você tem, sim, motivos para comemorar ao vê-lo se expressar verbalmente (no mínimo, você vê que as quatro sessões semanais de fonoaudiologia dos últimos anos e os exercícios feitos em casa estão ajudando). 

Mas a coisa não pode parar por aí. Se tem algo que cada vez mais nós aprendemos é: a deficiência dos nossos filhos não deve ser motivo para uma educação permissiva, deixando de corrigi-los quando necessário. 

E isso nem sempre é fácil, viu? 

Confesso que poderia pensar: “Já tô fazendo muito por viver esta maratona de terapias.” No entanto, meu papel de mãe não se resume a isso. Eu dirijo para as terapias, mas não sou “a motorista” dele. Eu estimulo em casa, mas não sou “terapeuta”. Sou a Mãe. 

Posso até desempenhar esses outros papéis em certos momentos, mas o que o Paulo mais necessita é que eu o veja como FILHO. Não como um “paciente” das várias terapias que ele faz, nem como o “aluno” que precisa de uma boa inclusão na escola. 

Enxergar a nossa criança como FILHO (não como um diagnóstico ambulante) é, também, lembrar da importância de corrigir quando necessário. Amar também é orientar bem. 

Sei que isso é difícil muitas vezes. Dependendo da circunstância e da condição de saúde da criança, o mais prático seria fazer vista grossa a certas coisas “erradas” que ela faz, pelo motivo que for (pena, satisfação de ver avanço no desenvolvimento ou simplesmente ignorância de como proceder). 

Os autores Jane Nelsen, Steven Foster e Arlene Raphael afirmam que quando os pais de crianças com deficiência são permissivos (ou seja, mimam seus filhos), estão deixando de  ajudá-los a se sentirem mais capazes. Há outras consequências para a criança também, tanto em termos de seu desenvolvimento quanto nas suas interações sociais. Por isso, o equilíbrio entre carinho e firmeza é essencial também para crianças com desenvolvimento atípico — por mais que a gente seja “nhem-nhem-nhem” e queira proteger demais ou por mais que você morra de pena porque seu filho já sofreu muito. 

Qual sua opinião sobre isso? Acha possível educar com carinho e firmeza mesmo na mater/paternidade atípica? Comenta aqui se você quer mais posts sobre este assunto 😉 

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