Não se acostume ao seu filho!

Não se acostume ao seu filho, especialmente se ele tem alguma deficiência. Cada conquista é única e vale ser celebrada. 


 

Na semana passada levei meu filho Paulo à clínica de fisioterapia onde, com muito esforço, ele aprendeu a andar.

Já estive lá muitas e muitas vezes. Na semana passada, no entanto, houve algo de diferente.

Lembrei-me da primeira sessão do Paulo naquela clínica, em setembro de 2014.

De lá para cá foram inúmeras sessões, inúmeros treinos em casa, inúmeras dúvidas tiradas com a fisioterapeuta.

Lembrei-me do quanto parecia um sonho imaginar a melhora do desenvolvimento motor dele — naquela época tão comprometido por causa da grave anóxia (falta de oxigenação) que ele sofreu ao nascer.

E pensei: não quero nunca me acostumar com as conquistas dos meu filhos. Não quero deixar de valorizar cada pequena habilidade deles “só porque todo mundo tem” — porque, afinal de contas, nem todo mundo tem! E há quem passe anos e anos lutando muito por conseguir aquela habilidade que talvez você tenha e nem valorize.

Não se acostume. Acostumar-se pode ser perigoso. Pode significar deixar de olhar, com entusiamo e brilho nos olhos, o desenho que seu filho fez, o som que ele finalmente emitiu ou o pequeno passo que deu com as perninhas, mesmo com apoio.

Não se acostume. Encare cada sorriso, cada olhar, cada choro, cada birra (!) como um motivo para celebrar a vida de seu filho.

Porque, afinal, só sorri, olha, chora e faz birra quem está vivo.

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Sobre a luta para Paulo andar: https://youtu.be/uvPa_AIcWN8

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