Além da maternidade especial: por que tive mais filhos 

Por que tive mais filhos? Muuuuitas pessoas me perguntam isso, pois sabem que minha realidade como mãe especial é bem mais exigente do que eu imaginava que seria. E então? Por quê? Depois de 2 anos e meio desde que tive meu segundo filho e prestes a encarar meu terceiro parto, escrevo sobre isso 😉 


UMA BREVE INTRODUÇÃO…

Este é um daqueles textos que a gente escreve sem pensar. Só depois que o lê é que descobre que aquelas ideias estavam na sua cabeça e você nem sabia.

Este texto é apenas um relato pessoal, pois muita gente me pergunta sobre o assunto. Não tenho a intenção de te dizer para “ter” ou “não ter” mais filhos caso você também já seja mãe de uma criança com necessidades especiais.  Amor e liberdade são essenciais nesta decisão e serão seus melhores guias. ♥

UMA MATERNIDADE DINÂMICA

Estou na iminência de ter outro bebê.  Daqui a poucas semanas, nasce Amanda. ♥ A proximidade deste novo nascimento tem me feito refletir sobre minha decisão de ter tido mais filhos mesmo já sendo uma “mãe especial”.

Amanda é meu terceiro bebê, mas minha primeira menina. Ou seja, serei mãe de primeira viagem pela terceira vez.

Em 2014, fui mãe de primeira viagem de um lindo ruivo que, devido à grave anoxia que sofreu no parto, tem necessidades especiais. Era o Paulo,  que vinha abrindo as cortinas da minha maternidade de um jeito diferente.

Em 2015, fui mãe de primeira viagem de um menino saudável,  esperto, que, ao nascer, já parecia me dizer: “mãe, tá tudo bem. Não precisa ter medo de ter outro filho, aconteça o que acontecer”. Ele é a personificação da coragem, aquela coragem que eu tanto almejava enquanto tremia de medo (literalmente!) no meu segundo parto. O tremor passou, ainda bem, dando lugar à alegria dos sorrisos e das músicas do Matheus.

Em 2018, serei mãe de primeira viagem de uma menina. O que será que me espera?

VALEU A PENA?

Dois anos e meio se passaram desde que tive o Matheus. O tempo foi passando e foi ficando cada vez mais claro que valeu a pena me abrir novamente à possibilidade de ser mãe — mesmo depois de um parto difícil.  Mesmo depois de enfrentar uma UTI neonatal. Mesmo depois de saber que minha realidade como mãe especial é muito mais exigente que a de outras mães (e será assim por muito tempo ainda).

Mesmo assim, valeu a pena. Meus enormes medos do segundo parto, minhas inseguranças sobre ter mais filhos e as várias dificuldades práticas que enfrentamos no meio do caminho (profissionais, financeiras e logísticas) foram se desvanecendo com a força do companheirismo dos meus dois meninos.

Sim, de vez em quando eu fico exausta (como já contei aqui e neste outro post), também há briguinhas e ciúmes, mas são muito mais frequentes (e importantes) as situações como as da foto abaixo.

Passar pelo que eu passei justo na primeira experiência como mãe não foi fácil, mas foi bom. Foi BOM no sentido de ter trazido consequências extremamente positivas, mais duradouras do que as inseguranças, medos e até mesmo as dificuldades práticas que enfrentamos.

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ENTÃO, SE A PRIMEIRA EXPERIÊNCIA FOI BOA, POR QUE ME FECHAR A OUTRAS?

Vou te dar um exemplo de consequência positiva da maternidade especial. O fato de justo o meu primeiro filho precisar de tantos cuidados mudou, já de imediato e “na marra”, a minha mentalidade sobre como maternar. Mudou meu mindset sobre o papel dos filhos na vida de uma mulher — especialmente para alguém que, como eu,  só pensava em trabalho.

Meus outros filhos saíram ganhando. Acho que me tornei uma mãe mais atenta e presente graças ao que aprendi lidando com hospitais, consultas, terapias e crises convulsivas.

A maternidade especial, mesmo desafiadora e até dolorida às vezes, é um tesouro tão grande que transborda em meus outros filhos.

Este transbordar,  no entanto, não teria como ocorrer se meus outros filhos não existissem. Não transbordaria sequer em você,  que está lendo este texto, kkkk.

Então, respondendo às muitas perguntas que recebo sobre este assunto, sim, eu quis ter mais filhos. Para mim, mesmo com dificuldades de vários tipos e muitos dias de cansaço, esta decisão foi libertadora. Trouxe a leveza de que eu precisava para viver a maternidade, inclusive a maternidade especial e seus desafios. Afinal, “agenda cheia”  (como a minha) não precisa ser sinônimo de “agenda pesada”.


PS: Falar de leveza quando se assume ainda mais responsabilidades (como é o caso de ter um filho ou de dar algum grande passo na vida) pode parecer um contrassenso, eu sei.

No entanto, quando este grande passo vem com amor e liberdade, é como colocar um par de asas grandes nas costas. Se, por um lado, as asas podem pesar para alguém que não está acostumado a elas, por outro, elas te permitem voar alto na vida 😉

3 thoughts on “Além da maternidade especial: por que tive mais filhos 

  1. Olá Kerol… texto maravilhosooo.. me identifiquei muitoooo.. vc foi perfeita nas suas colocações!!! Parabéns por essa super mega força ?

  2. Amei o texto. Parabens pela coragem, pelo ode ao AMOR e LIBERDADE.
    Gostei da foto das crianças e tambem do último parágrafo, onde voce faz referencia ao par de asas nas costas, que permite voar mais alto.
    É isso que te desejo. Voos cada vez mais altos e que voce continue nos contando o que vê .

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