Terminologia sobre crianças com deficiência – qual você usa mais?

By Kerol | Blog

Terminologia sobre crianças com deficiência: qual você usa mais?

Qual o melhor termo para referir-se a crianças que tenham alguma condição que comprometa seu desenvolvimento? Como falar, de maneira respeitosa e correta, sobre pessoas com paralisia cerebral, epilepsia, síndrome de down, autismo, microcefalia e outras síndromes ou enfermidades? 

No início do Mater & Pater PLUS, usávamos o termo “criança especial”, assim como “mãe especial” e “pai especial”. Certo dia, uma mãe nos disse:

ーTenho duas filhas. Uma delas é “especial”, mas, sempre que eu uso este termo, a outra reclama, dizendo que ela também é especial. 

Ela tem razão. Nós mesmos, aqui em casa, podemos dizer que todos os nossos filhos são especiais. 

Concordamos com ela, mas ficou a dúvida: qual o melhor termo? Devemos escolher o que é mais correto ou o que as pessoas mais entendem? Afinal, queremos que nosso conteúdo seja compreendido. 

Algumas palavras passam a ficar comuns para quem vive a rotina de terapias, por exemplo, mas continuam não sendo compreendidas pela maioria das pessoas. Percebemos que, algumas vezes, ao falarmos em “neuroatípicos” ou “neurotípicos”, muitos leitores não entendiam o que queríamos dizer. Uma pessoa até chegou a pensar que “neurotípico” era pejorativo. 

Para chegar a uma solução, consultamos a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, conversamos com alguns profissionais que atendem o nosso filho Paulo e também refletimos sobre qual o nosso objetivo ao falar deste assunto no Mater & Pater PLUS. 

Em nossos materiais, você encontrará as três opções ー às vezes, usaremos “criança com deficiência” para dar ênfase à sua condição de saúde, dependendo do contexto. Em outras ocasiões, usaremos “criança especial” se acharmos que assim seremos compreendidos mais rapidamente. No entanto, a nossa escolha número 1 é a expressão “criança com desenvolvimento atípico”, bem como o termo “mater/paternidade atípica”, para nos referirmos à realidade de ter um(a) filho(a) com alguma deficiência, limitação ou atraso no seu desenvolvimento. 

Essa expressão ー “criança com desenvolvimento atípico” ー sinaliza que, sim, há um desenvolvimento na vida da criança. Pode ser que ele não seja como esperávamos/queríamos/sonhávamos, mas há um desenvolvimento. 

A palavra “atípico”, por sua vez, nos pareceu adequada porque se refere a algo que sai do que é “típico” ou comum, mas não é nem melhor nem pior. É simplesmente diferente. 

Sabemos que a maioria das pessoas não está familiarizada com a expressão “desenvolvimento atípico”, mas será muito bom ajudar o público em geral a conhecer mais sobre este universo das deficiências. Se este nosso trabalho ajudar também na difusão desta conscientização, sentiremos que todo nosso esforço está valendo a pena. 

Você pode estar pensando: “Mas… por que não usar somente ‘criança com deficiência’?”

Bom, este termo é correto e adequado à maioria dos contextos que abordamos em nossos materiais. É também indicado na Convenção da ONU e em outros documentos. No entanto, refletimos aqui: se usarmos esta expressão o tempo todo, estaremos o tempo todo focalizando as limitações da criança, aquilo que lhe falta ー e o nosso objetivo é justamente mostrar toda a contribuição (todo o plus) que esta criança traz ao mundo. Falaremos de deficiências, sim, mas como algo que conduz à plenitude, à felicidade, à realização de uma pessoa e de uma família. E assim fizemos a nossa escolha, sem perder a liberdade de usar qualquer uma dessas expressões quando acharmos mais oportuno. 

Agora queremos saber a sua opinião. Qual dessas três expressões você usa mais? Por quê? Você já havia pensado sobre o que cada uma delas implica? Conta pra gente, vamos adorar saber.

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