Mater/paternidade “atípica” não precisa ser mater/paternidade “vítima”

By Kerol | Blog

Mater/paternidade “atípica” não precisa ser mater/paternidade “vítima”. Colocar-se no papel de vítima é viver como coadjuvante na própria vida — quando o convite é para ser o protagonista! Vem ler esta confissão da Kerol e no que ela pode te ajudar.


Colocar-se como vítima por causa da mater/paternidade atípica é deixar de ser o protagonista da própria vida.

As noites aqui em casa são agitadas. Acordamos várias vezes para atender algum filho que fez xixi na cama, outro que quer mamar e outro que precisa sempre tomar remédios de madrugada para amenizar os efeitos colaterais durante o dia. Na maior parte das vezes, encaramos isso com naturalidade. Em outros dias, a coisa pode ser diferente — e aqui vai meu “mea culpa“.

Dias desses, eu (Kerol), levantei de manhã um pouco frustrada por perceber que eu tinha perdido a hora. “Se eu dormisse melhor, seria mais fácil levantar,” pensei, um pouco mal humorada. “Se não tivesse tantos compromissos, seria mais zen”. “Se”, “se”, “se”… Pára, Kerol!

Como é fácil dar desculpas mesmo com motivos aparentemente justificados. Pior ainda: como é fácil citar nossos filhos como desculpas para coisas que não fazemos por preguiça, medo de ousar, pessimismo, desorganização, falta de fortaleza.

Sim, é verdade que a vida muda completamente após a chegada dos filhos, e isso é ainda mais radical quando se tem uma criança com deficiência. A rotina de terapias, exames, consultas e fases de internação são motivos mais do que justificados para uma menor disponibilidade de tempo para o trabalho, vida social, lazer ou outras atividades. Isso é fato e deve ser relembrado sempre, pois nem sempre as mães e pais atípicos são compreendidos em seus ambientes de trabalho, nos seus círculos de amizade ou mesmo na própria família.

Isso não significa, entretanto, que seja saudável se escorar no nosso papel de “mãe/pai atípico” para adotar uma postura de vítima diante da vida. Talvez isso não aconteça de forma consciente, mas podemos cair nesta cilada se temos o hábito de reclamar, de sempre focalizar o lado negativo das situações ou de sempre achar que qualquer comentário ou olhar diferente já é discriminação contra nosso filho. No fundo, esses nossos comportamentos podem esconder uma certa pena de nós mesmos por causa da nossa mater/paternidade atípica.

Por que isso é uma cilada?

Em primeiro lugar, porque é muito chato. Ninguém quer ficar perto de pessoas reclamonas.

Em segundo lugar, porque o mundo não precisa das nossas desculpas ou vitimismos, mas das nossas iniciativas e virtudes. Sim, é verdade que nossas horas parecem evaporar quando se tem uma rotina de 20 horas de terapias por semana (além de todas as outras atividades que você tem na agenda!). Porém, as coisas mudam muito de figura quando se aprende a administrar melhor o tempo, por exemplo. Adquirir virtudes passa a ser um item de sobrevivência quando nos tornamos mãe ou pai atípico. Sem elas, a gente sucumbe feio.

Em terceiro lugar, porque o papel de vítima (consciente ou inconsciente) nos coloca numa situação passiva e de impotência na vida.

Uma vítima geralmente ocupa um papel inferior (na maioria das circunstâncias). Normalmente não tem muito poder de mudança ou não se vê capaz de transformar a situação. Ou seja, quando adotamos uma postura de vítima por causa da mater/paternidade atípica, desempenhamos um papel coadjuvante na vida — quando o convite era para ser protagonista!

Há situações que, de fato, são duríssimas para uma mãe e/ou um pai. Que são difíceis de suportar, que não tem como não sentir pena pela família. É verdade. Situações extremas geralmente envolvem vítimas reais. Mesmo nesses casos, as virtudes vêm para ajudar.

Os autores Viktor Frankl e Immaculée Ilibagiza são exemplos de pessoas que foram VÍTIMAS no sentido mais literal da palavra. Graças ao esforço por adquirirem virtudes, foram protagonistas de suas histórias e, assim, deixaram um legado de esperança útil para qualquer pessoa. Frankl foi prisioneiro em campos de concentração nazista. Já Immaculéé sobreviveu ao genocídio em Ruanda, na África.

A atitude deles talvez não tenha mudado os fatos (o nazismo e o genocídio infelizmente deixaram seus rastros de horror), mas mudou o mundo interior de cada um deles. Eles mantiveram acesa, dentro deles, a luz da esperança e assim iluminaram não só a si mesmos, mas a muitos que estavam por perto. Até hoje a luz deles ilumina milhares de pessoas no mundo, por meio dos seus escritos. O que tudo isso tem a ver com você, comigo, com qualquer mãe ou pai atípico?

Não importa a situação. Sempre é possível deixar de lado a posição de vítima. O maior beneficiado será você mesmo, que pouco a pouco se sentirá mais alegre, com mais ânimo para viver os seus dias, enfrentar dificuldades, fazer planos, etc.

Como fazer isso? Em primeiro lugar, acolhendo seus sentimentos e dando voz a eles (“não reclamar” não significa abafar suas emoções — veja nosso vídeo sobre isso no IGTV e Youtube). Depois, investindo no seu fortalecimento pessoal e familiar. Assim você conquistará virtudes que farão toda a diferença em várias áreas da vida e deixarão sua mater/paternidade atípica muito mais leve.

Essas ideias fazem sentido pra você? Gostaria de mais materiais sobre como deixar de lado pensamentos vitimistas, sobre como ter um protagonismo mais confiante e alegre na mater/paternidade atípica? Comenta aqui embaixo se você tem interesse, pois já temos altas ideias aqui para compartilhar com você!

Photo by Miguel Bruna on Unsplash

About the Author

%d blogueiros gostam disto: