Você tem 1.440 na sua conta

By Kerol | Blog

Você tem 1.440 na sua conta. 

.

Do banco? Não. Na conta do seu relógio. A cada dia você tem 1.440 minutos — frações de tempo que muitas vezes deslizam por nossos dedos sem nos darmos conta. 

.

Dizemos que não temos tempo, mas a cada noite nossa conta “zera” para depois recomeçar inteira: mais 1.440 minutos depositados assim que você levanta pela manhã. Muitas vezes, nosso desafio não é falta de tempo, mas falta de organização e/ou de saber elencar prioridades.

.

Muito se fala que “tempo é dinheiro”, ou seja, muito se relaciona o tempo a questões financeiras. Mas é preciso lembrar que a maneira como nós, mães e pais atípicos, usamos o nosso tempo tem grande impacto no desenvolvimento da nossa criança com deficiência, principalmente na primeira infância (de 0 a 6 anos). Como assim?

.

Uma criança com deficiência, limitação ou atraso precisa de estímulos e atendimentos especializados. Quanto mais cedo acontecerem esses cuidados na vida da criança, maior a chance de ela vir a ter melhores resultados em seu desenvolvimento. 

.

Bom, para o bebê ter este acompanhamento cedo, obviamente é necessário um adulto. Afinal, a criança é dependente. Este adulto, por sua vez, não vai conseguir atuar precocemente na vida da criança se a própria vida dele estiver bagunçada. 

.

Aqui em casa, aprendemos isso um pouco na marra, mas felizmente foi cedo. Logo nos primeiros meses de vida do Paulo, após receber alta da UTI, uma de suas médicas nos disse em tom firme e sem meias palavras: 

.

— Ele precisa começar JÁ a terapia. Senão vai ficar com atraso. 

.

Começar uma terapia não é como ir a um evento pontual. É um compromisso de longo prazo; portanto, precisamos nos organizar e — principalmente — nos convencer da importância e necessidade de incluir o tratamento como prioridade na vida da família (já que a criança não vai sozinha). Por isso, saber otimizar os 1.440 minutos do dia é tão importante. 

.

É difícil administrar bem o próprio tempo? Para nós, é um desafio e tanto, mas é totalmente possível. Dá um certo trabalho pois não exige apenas saber dosar os minutos de cada dia, mas saber “dosar a si mesmo” em muitos aspectos: nossas vontades, atividades e até vícios. 

.

A relação entre “o nosso modo de viver as horas do dia” e “o possível desenvolvimento da nossa criança com deficiência” pode não parecer tão clara num primeiro momento. Mas, acredite, existe e é muito forte — não só pela questão dos tratamentos do nosso filho, mas também pelo efeito emocional que tem em nós, adultos. Afinal, fazer as pazes com o relógio nos deixa mais leves, mais felizes e mais autoconfiantes — e tudo isso transborda na criança.

About the Author

Leave a Comment:

Leave a Comment:

%d blogueiros gostam disto: